Eu Li: Uma História de Amor e TOC (OCD Love Story)

Recebi este livro de surpresa da Galera Record assim que ele foi lançado. Apesar de ter ficado interessada imediatamente – o nome e a capa chamaram minha atenção – acabei deixando o livro na estante até surgir uma brecha no cronograma para conseguir lê-lo. Comecei a leitura daquele modo que gosto de fazer: sem ter lido nada sobre o livro e agora, pouco depois de terminar a leitura, posso dizer que se tornou uma das minhas histórias favoritas do gênero este ano.
Tenho um talento especial para dizer verdades terríveis para estranhos.
A história é narrada por nossa protagonista Bea. Ela está no fim do Ensino Médio e poderia ser apenas uma adolescente comum enfrentando os percalços da vida escolar, mas Bea faz tratamento terapêutico há algum tempo. Como Bea a é narradora da história, ela meio que esconde o motivo de fazer terapia porque aparentemente é por um motivo que ela não se orgulha, mas nós não sabemos o que a levou até o consultório da dra. Pat. Bea tem uma melhor amiga com quem ela consegue dividir as maiores neuras de sua vida, Lisha e embora Lisha não saiba como é ter uma cabeça tão complicada, sempre foi uma boa amiga. Bea até que não reclama de ter que fazer terapia, mas as coisas começam a mudar quando a dra. Pat a avisa de que ela está encaixada num caso de TOC e para melhor tratamento terá que participar de sessões em grupo com outros adolescentes com o mesmo tipo de problema. A principio Bea fica um pouco irritada por ser diagnosticada com TOC – algo que ela considera terrível, mas acaba aceitando participar das sessões. Juntando a isso, tem o novo garoto que ela conheceu, Beck, que ela acaba encontrando justamente lá, na sessão terapêutica de grupo. Então o livro é realmente uma história de amor e toc, - com foco no toc!
Eu só estava tentando quebrar o clima pós-terapia com um pouco da minha clássica autodepreciação, mas talvez Beck não seja fluente em sarcasmo.
— Suas calças não cabem - digo. E logo em seguida percebo que sou uma idiota. — Nem sua camisa. - Eu juro, se conseguisse me controlar e não dizer essas coisas, eu o faria. Mas se não disser as coisas que surgem na minha cabeça, elas poderiam comer minhas entranhas ou eu seria condenada ao inferno por desonestidade, então não posso mesmo correr o risco. 
A trama segue Bea em suas sessões e em sua vida, tentando lidar com seu recém descoberto TOC enquanto lida com toda a novidade desse novo interesse em Beck. Beck é um personagem muito fofo - que tem um toc preocupante. Adoro como os dois são tão complicados psicologicamente, mas ajudam um ao outro na aceitação e superação de seus problemas. Tem algumas passagens entre eles tão sensíveis no auge de algum ataque de ansiedade que eu realmente me emocionava. 
Acho que estou prestes a me apaixonar por Beck, e isso está me deixando mais louca do que já sou. Só tenho certeza de duas coisas: gosto de Beck e, provavelmente por causa disso, estragarei tudo de algum jeito horroroso.
#quemnunca
UHA e Toc é uma leitura intensa, dolorosa, por assim dizer. Não estou escrevendo isso para desanimar a leitura, mas deixo aqui este aviso para que você saiba o tipo de leitura dessa que encontrará nesta trama. Sei que olhando a capa e o nome você pode pensar que é apenas mais uma trama YA sobre paixão juvenil, mas você está enganado. Esse livro vai um nível além e o que você encontra é uma trama extremamente verossímil sobre uma pessoa com problemas psicológicos. Isso me deixou muito feliz (#paradoxo) porque acho que a autora foi de uma enorme sensibilidade pra escrever sobre o assunto (em 1ª pessoa) e fez uma boa pesquisa para tratar a doença de uma forma tão intensa. Na verdade, enquanto lia, me via tão envolvida na situação que considerei seriamente ir voltar para terapia. Talvez porque eu não seja ré primária nesses assuntos, talvez porque a autora fez um trabalho tão bom que a gente começa a questionar a própria sanidade (rs), acho que a trama me envolveu tanto que realmente mexeu com meu psicológico já remexido.

O que quero dizer nesta resenha é que a leitura não fica mais fácil quando você está na cabeça de alguém que sofre com problemas psicológicos. Eu nunca havia pensado no TOC em circunstâncias tão drásticas como a que encontrei no livro e ler sobre isso me deixou bem abalada. Geralmente a gente pensa em toc como: ah, ele não pisa nas linhas de um calçamento, ele só come massa as sextas e a verdade é que essa doença vai muito além dessas coisas que costumamos pensar e nesse livro a autora fez questão de mostrar isso. Então sim, Bea estava certa ao ficar preocupada com o diagnóstico porque, sim, é terrível.

Ao longo da leitura acompanhamos Bea chegar ao fundo do poço em suas compulsões e essas partes são especialmente enervantes. Gostei muito da figura da dra. Pat porque a achei tão realista enquanto psiquiatra/terapeuta que imaginei que Corey Ann teve alguma consultoria no assunto (e ela me lembrou uma psiquiatra que tive e era maravilhosa ). A melhor amiga de Bea também foi muito bem retratada porque eu meio que já me senti nas duas situações (a pessoa louca e a pessoa sã de uma friendship) e a achei muito real. Quer dizer, quando envolve o psicológico, as relações são realmente complexas...
Terapeutas são complicados. Fazem ligações entre qualquer coisa, Quando comecei a ver a dra. Pat, tentatava falar sobre assuntos casuais, mas ela nunca me deixava apenas ter uma conversa normal. Uma vez disse a ela que gosto de picles no sanduiche. Ela me lembrou que ,encionei que Kurt comia muito picles e perguntou o que eu achava que poderia significar.
Sei como é.
Irritante quando eles revertem a questão para 'o que VOCÊ acha que significa?' ¬¬'
Achei o livro SENSACIONAL (em caixa alta) e não sei dizer bem se é porque achei toda a trama muito próxima a mim e essa identificação me fez gostar ainda mais de como a autora tratou o assunto. Demorei cerca de 2 semanas para concluir a leitura – não porque a leitura foi arrastada, mas porque fiquei dias sem conseguir ler por conta de problemas pessoais. É livro extremamente denso e que me fez pensar e refletir muito sobre algumas situações. Indico muito a leitura e já aviso que é um livro sobre loucura! Eu sou bem maluca, então essa identificação tornou tudo melhor, mas acredito que se você gosta de tramas interessantes e que criam conexão, esse livro é uma ótima pedida - mas mantenha seus remédios em dia, para não surtar.
Ela é uma bêbada agressiva. Notei isso nas pessoas: beber lhes dá permissão para ser a pessoa que sempre quiseram ser, em vez de a pessoa que realmente são.
O livro termina de um jeito bem inspirador, aquele tipo de fim que você sabe que não deixa tudo no nível do 'felizes para sempre' mas que te da uma dose de esperança quanto ao futuro dos personagens e aí só resta torcer para tudo ficar bem encaminhado como deveria. Confesso que eu já estava tão inserida naquele universo que eu bem gostaria de mais detalhes sobre o que aconteceu depois, mas acho que foi um final justo e fiquei satisfeita com o que minha imaginação usou como conclusão.

Não conhecia Corey Ann Haydu – este foi o primeiro livro publicado por ela – mas depois dessa leitura, posso dizer que adorei o estilo de escrita da autora e mal posso esperar para ler outros livros dela. Ela tem mais dois livros lançados e previsão de mais um para este ano ainda. Espero que a Galera compre outros títulos dela porque, definitivamente, essa mulher tem talento para escrever algo profundo sob uma camada de despretensiosidade.

Eu Li: Para Todos os Garotos que Já Amei (To All the Boys I've Loved Before)

Eu estava curiosa por esse livro da Jenny Han desde que soube do lançamento lá fora. Além da capa muito fofa (sim), conheci a Jenny em outro trabalho (O Verão que Mudou Minha Vida) e havia gostado muito do estilo dela. Quando a Intrínseca anunciou que lançaria To All the Boys, fiquei contando os dias e agora que terminei minha leitura, vim aqui contar o que achei.

Nossa protagonista e narradora é Lara Jean Song. Lara Jean está prestes a começar o segundo ano do Ensino Médio e além disso, precisa lidar com a partida da irmã mais velha, Margot, que vai fazer faculdade na Escócia. Acontece que Lara Jean é a irmã do meio numa família sem mãe e, ao contrário do que se costuma imaginar, sempre teve uma ótima relação com a irmã, a considerando uma grande amiga. Lara Jean não está acostumada a resolver as coisas por conta própria, pois sempre teve a irmã mais velha para se apoiar. Acontece que Margot tem um namorado que toda a família ama (as irmãs e o pai) e antes de ir embora, ela acaba terminando com ele porque não quer um envolvimento enquanto está na faculdade e isso acaba abalando Lara Jean mais do que ela gostaria, ainda mais porque sempre foi amiga de Josh e agora que Margot não estará por perto, como ficará sua relação com Josh?
Ninguém consegue guardar ressentimento como a Kitty. [...] Eu nunca consigo ficar com raiva de ninguém por muito tempo, mas Kitty guarda ressentimento como se a vida dela dependesse disso.
eu também não guardo ressentimento...
A princípio, Lara Jean consegue seguir a vida normalmente, afinal, já estava na hora de aprender a se virar, mas depois que as cartas de amor que ela escreveu para todos os garotos que já amou acabam sendo enviadas para eles (#mistério), Lara Jean precisa lidar com muito mais do que as responsabilidades em casa e o novo ano letivo. Ela precisa sair da enrascada que a revelação causa na vida dos rapazes - e dela.
Eu diria que ele é normal. Parece o tipo de cara de quem se esperaria que fosse bom com computadores, o tipo de cara que chama quadrinhos de graphic novels.
#euri
O livro começa com um prefácio onde Lara Jean explica os motivos das tais cartas de amor e acho válido explicar que as cartas não são exatamente para caras que ela namorou e sim que ela acabou gostando/amando em algum momento da vida. Achei a ideia muito boa e gostei do modo como a personagem encara esses amores. Depois que as cartas são entregues e seus ex-afetos tomam conhecimento e vão tomar satisfação, Lara Jean acaba se envolvendo numa grande bagunça pra não revelar a verdade sobre tudo.
Se o amor é como uma possessão, talvez minhas cartas sejam meu exorcismo.
sente a frase de impacto logo no começo!
Gostei muito de todos os personagens do livro e especialmente de como a relação entre todos eles foi desenvolvida. As três irmãs são tão diferentes, mas formam uma unidade tão legal! O pai das meninas também é memorável. Gosto quando os pais realmente participam do enredo e não estão sempre ausentes. Acho que o fato dele ser o único homem na casa com três garotas jovens torna tudo mais interessante. Também curti muito que Lara Jean (e família) adora cozinhar e o enredo fala muito sobre refeições - hahahah livro + comida, quem não ama?
— A Margot não precisa saber, não diga nada a ela!
— Quando eu falaria com ela? [...]
Eu franzo a testa.
— Odeio quando as pessoas fazem isso, quando você pede para elas guardarem segredo e, em vez de responderem sim ou não, elas dizem:"Para quem eu contaria?"
— Eu não disse "Para quem eu contaria?"!
— Só responda sim ou não, e de verdade. Não fique impondo condições a torto e a direito.
também odeio isso!
Além disso, adorei a amiga maluquinha de Lara Jean - Chris (tem que haver uma amiga little bit crazy) e fiquei apaixonada (A-PAI-XO-NA-DA #emcaixaalta) por Peter. Isso até me surpreendeu porque eu costumo gostar do mocinho-principal e quando comecei a me encantar por Peter logo-de-cara notei que eu teria problemas! Mas tenho certeza que Jenny Han fez isso de propósito porque Peter é simplesmente muito fofo e divertido e maravilhosa pra gente não virar fangirl. Fazia tempo que eu não curtia tanto um mocinho em livro!
... eu não via nada de especial em você. Muitas pessoas são bonitas. Isso não as torna interessantes, intrigantes ou legais.
Acho que eu também gostei muito do livro porque rolou uma identificação muito grande com a protagonista! Tem alguns pensamentos/ações dela que eu poderia dizer que é exatamente o que eu penso (ou já pensei quando era mais nova). Na verdade, tem alguns momentos em que a identificação foi tanta que chegava a ser assustador!

O mais interessante sobre 'Para todos os Garotos' é que ele é um livro com um plot leve, uma história bem young adult, mas tem algo de encantador e extremamente verosímil nele que nós faz ter carinho pela trama e personagens. Na verdade, consigo identificar muito o estilo da Jenny Han porque foi mais ou menos assim que me senti enquanto lia O Verão. Ela consegue fazer uma trama comum (a vida na escola/família/amigos) ficar tão emocionante que a gente acaba se apegando e querendo conhecer de verdade aqueles personagens. O final desse livro então... É pra matar qualquer pessoa de ansiedade! Apesar de deixar uma ideia do que estar por vir, o livro termina num momento muito necessário-parar-se-viver e eu ainda estou em choque porque preciso ler a continuação pra ontem!
Caramba, preciso arrumar o quarto. Não consigo encontrar nada nessa bagunça.
Finalizando com uma frase dita por Lara Jean, 
mas bem que poderia ter sido eu...

Eu Li: Ordem (Shift)

Como começar a escrever sobre a continuação de uma das séries mais inusitadas que conheço? Quem acompanha o blog sabe o sofrimento que foi terminar a leitura de Silo (clique para resenha) e não ter a continuação em mãos - ainda mais com aquele trechinho deixado ao final do livro. A editora Intrínseca me enviou o livro para resenha e eu comecei a ler com um bloquinho, pra anotar minhas teorias e não me perder nas informações #dessas.

A resenha não tem spoilers, mas se você não leu o primeiro livro, vai descobrir coisas que não deveria saber!

Como o livro anterior adiantou, em Ordem, começamos a história anos antes de tudo que se passou em Silo e então conhecemos o inicio do que posso chamar de planejamento-Silo. Conhecemos o deputado Donald, que acabou de chegar ao congresso lá em D.C. e é apadrinhado pelo senador Thurman - um velho conhecido. Acontece que esse senador está começando um projeto e chama Donald para fazer parte da equipe de elaboração/construção - considerando que Donnie é arquiteto por formação e tudo mais. O que Donald não imagina é que esse convite singelo e essa grande oportunidade é apenas o começo do fim.
— A negação é o tempero secreto desta cidade - disse ele. — É o sabor que une todos os outros ingredientes. Sabe o que eu digo a todos os recém-eleitos? Que a verdade virá à tona, ela sempre vem, mas virá misturada com um monte de mentiras.
O senador sabe do que 'tá falando...
Vou começar a resenha fazendo um pequeno apanhado sobre o mundo nesta realidade de Silo. Há alguns anos foi descoberto uma forma de congelar pessoas e com isso manter a vida por mais tempo, uma vez que alguns avanços também permitem o uso da nanotecnologia para recuperação da pele e saúde - ou seja, com dinheiro você consegue viver por mais tempo porque pode fazer tratamentos e se congelar e descongelar pra viver quando quiser.

A história do livro é divida em três partes principais. Na primeira conhecemos Donald e esse projeto, o modo como as coisas foram pensadas/construídas e o que estava acontecendo com o mundo para tal ideia ser posta em prática. De fato, a gente continua sem saber o POR QUÊ de terem construído os silos e trancado pessoas lá, mas a gente conhece o COMO e isso já é um alento - porque no primeiro livro a gente não tem ideia de nada. Nessa primeira parte, acompanhamos duas fases da vida de Donald e tudo parece muito confuso porque não sabemos onde aquilo vai chegar e porque aquilo esta acontecendo - já que as explicações de como as coisas finalizaram só acontece ao fim de cada parte.
Eu não confio em mim perto de você. Nós não vamos ser amigos. O que você está fazendo aqui, porra?
#ui
Na segunda parte, Donald é acordado para lidar com um problema que está ocorrendo no Silo 18 (sim, o da Jules). Como Donald é um dos idealizadores dessa maluquice sistema, ele acaba servindo de consultor para a resolução desse levante (que é o que conhecemos no 1º livro como O Grande Levante). De um lado, temos essa equipe responsável por resolver essa confusão no Silo 18 - que é basicamente a galera que comanda tudo - e de outro, conhecemos o que anda acontecendo neste silo, seguindo os passos de Mission, um jovem envolvido no levante.
— Preveja o inevitável - disse ela — e com certeza um dia você vai estar certo.
Na terceira parte, Donald volta a vida (ahh, a vida semi-eterna) como o grande chefão da história e resolve que já passou da hora de tomar as rédeas dessa bagunça e descobrir de uma vez por todas o que aconteceu com o mundo e porque o senador criou os silos. Também conhecemos a história por trás do Silo 17 e vemos como Jimmy se transformou em Solo e sobreviveu ao que aconteceu quando o Silo 17 foi destruído - embora também não fique claro o que começou toda a confusão - ou eu que estou muito lerda e não entendi.
Havia algo no confinamento forçado que unia as pessoas. Além da óbvia proximidade física.
Bem, o que eu posso comentar após esse meu resumo bem resumido - só comentei as coisas por fora - é que, apesar de eu ter ficado com mais dúvidas que resposta, achei a leitura muito gratificante porque toda a descoberta que fazemos sobre esse sistema acaba sendo muito surpreendente. Definitivamente, o que mais me instiga é como o exterior ficou tão nocivo a sobrevivência humana. As vezes parece que tudo é uma farsa, mas já foi mostrado que tem algo na superfície que mata as pessoas. Preciso saber como ficou assim e porque. Essa questão realmente me deixa sem dormir!
— Quando só se pode culpar Deus, nós o perdoamos. Quando se trata de outro homem, nosso irmão, nós o destruímos.
Eu já havia ficado fã da série apenas com o primeiro livro e embora essa continuação tenha plantado muitas outras dúvidas em minha mente (e explicado algumas outras), não posso deixar de dizer que é realmente fantástica e adoro esse mundo inusitado que o autor criou. A minha sensação enquanto li esse livro foi estar de volta a época de LOST, quando a gente tinha novas informações inseridas a cada ep. e pouco se sabia no que aquilo daria, mas há algo de instigante que nos faz querer acompanhar e concluir a trama. Mal posso esperar pelo terceiro e ultimo livro da série para saber o que acontecerá com os personagens que tanto me apeguei e também o porquê geral de tudo isso ter acontecido (sério, se alguém já sacou as motivações e objetivos reais de tudo só com este livro, me explique porque eu ainda não achei a resposta). Agora só resta esperar o lançamento de Legado pra saber como isso tudo vai se resolver porque eu não tenho a menor ideia...
Misture verdades e mentiras e você não será capaz de diferenciá-las.

Eu Li: O Garoto dos Olhos Azuis

Recebi O Garoto dos Olhos Azuis, lançamento da editora pandorga faz alguns meses a assim que o livro chegou - de surpresa - dei uma lidinha porque fiquei curiosa com esse lançamento nacional e a história me pareceu interessante. Acabou que eu estava em outras leituras e deixei o livro na minha cabeceira esperando por alguns meses.... Esses dias resolvi terminar cosas incompletas e voltei a pegar no livro para - dessa vez - concluir a leitura. Eu esperava que fosse gostar do livro, mas realmente me impressionei com o quanto eu me encantei com a história criada por Raiza Varella.
Nunca se ressinta, nunca desista. O cavalo branco só passa uma vez e não volta, mas não é tão fácil assim de enxergá-lo.
Assim que comecei a leitura gostei imediatamente da narrativa, feita em primeira pessoa pela nossa protagonista Bárbara. Babi estava prestes a se casar e viver o seu feliz pra sempre, mas não esperava que seus planos iriam por terra quando seu noivo diz não [NO ALTAR] pois estava apaixonado [e vivendo um caso] com uma de suas melhores amigas [e colega de quarto] e madrinha de casamento. Vocês imaginem o barraco que acontece - e isso tudo nas 10 primeiras páginas. É uma confusão total quando Miguel diz não bem na hora crucial. Depois de passada a humilhação, Bárbara decide fazer o que sempre foi especialista: fugir, começar de novo em outro lugar.
Sempre fui o tipo de pessoa que se arrepende de ser grosseira, que jamais é ignorante com ninguém de propósito, que tem aversão a magoar as pessoas. Eu teria entendido, por mais difícil que fosse, eu teria apoiado.
Isso parece algo saído da minha boca...
Babi então se muda de SP, onde trabalhava, morava e pretendia viver feliz e casada com Miguel, de volta para a cidade onde cresceu, no Sul. Depois de passar por um período de fossa, onde só queria chorar, quebrar coisas e ficar trancada no quarto, Bárbara decide que precisa recomeçar e a oportunidade surge quando seus irmãos mais velhos a chamam para morar com eles e alguns amigos. Ela aceita pois já não estava aguentando os cuidados da mãe e então parte rumo ao inesperado, afinal, ela realmente não está super empolgada para dividir um apartamento com 4 marmanjos.
Ian fechou a porta e deu  volta no carro, se posicionando atrás do volante e engatando a ré. Existia alguma coisa muito sexy em ver um homem realmente bonito dirigindo, ou eu é que er meio tarada?
Err.. 2ª opção, Babi... 
Surpreendentemente, o que Bárbara encontra no apartamento é um lugar organizado, limpo e um proprietário que mexe com os nervos dela pois além de lindo e com fantásticos olhos azuis, Ian parece não fazer outra coisa além de perturbá-la.

Pra começar a comentar alguns aspectos, devo explicar que adorei os irmão de Bárbara assim que os conheci (lá no casamento fail). Augusto é médico e é todo superprotetor e nervosinho - não mexa com ele ou sua irmã se não quiser levar uns socos. Gustavo é arquiteto e é mais sensível, mas também não admite que sacaneiem sua irmã. Os outros dois moradores são Bernardo, um delegado super boa pinta e tranquilo e Ian, que é médico, maravilhoso e tem tudo que uma garota quer, mas não deveria - sua fama de pegador o precede /dessas/. Assim que Babi se muda, fica sabendo sobre as principais regras da casa e obviamente, descumpre todas porque é isso que trás emoção para nossa vida /brincando com o fogo/.

A leitura é extremamente agradável e gostei muito da narrativa leve, descontraída e cheia de diálogos divertidos. É muito legal acompanhar Bárbara lidando com as novidades da vida [e do ]. O nível de testosterona não fica excessivo porque Bárbara logo encontra uma nova amiga na figura de Vivian - que ela chama de Barbie Malibu - a irmã mais nova de Ian, e a amizade das duas é uma coisa fofa e eu lembrei das minhas amigas! Na verdade, rolou muita identificação com esse livro. Babi, apesar de muito diferente de mim em alguns aspectos, tem outros traços de personalidade que eu super me identifiquei e acho que quando lemos algo onde rola identificação e afinidade, acaba que curtimos ainda mais a trama.
Eu não podia negar que ele tinha argumentos, mas isso não queria dizer nada, eu só era meio burra, qual é? Era crime ser tapada nesse país?
Tem um certo detalhezinho muito óbvio assim que começamos a leitura - narrada por Babi - mas que a própria se recusa a enxergar. Isso sempre me deixa um pouco irritada em narrativas de 1ª pessoa, mas acho que é um recurso comum e não chega a ser algo ruim porque a trama tem uma boa fluência e mesmo com a Babi sendo tapada não fica uma coisa forçada. Fiquei impressionada com o tanto de acontecimentos e reviravoltas que ocorrem durante o livro.

O que senti durante a leitura foi que o livro é uma mistura de todos os clichês que nós já esperamos de uma comédia romântica - mas não pense que digo isso de forma depreciativa - sabe quando a gente lê algo e percebe que é clichê, mas mesmo assim a gente vê que é tão bom que não precisa mudar? Foi esse tipo de sensação, esse tipo de clichê. Um clichê bom. De fato, o livro tem muitos elementos que nós já vimos por aí - desde características dos personagens até as situações enfrentadas - coisas que nós esperamos desse tipo de livro (ou filme), mas isso tudo só o torna mais interessante porque a autora conseguiu transformar o lugar-comum numa trama encantadora e totalmente cativante e acho que é isso que espero quando estou lendo um livro! Adorei a leitura e super recomendo pra quem gosta de tramas jovens, frescas e bem vida-real. Lembrei muito da época que eu lia fanfic - e digo isso com o melhor dos sentimentos pois foi uma época muito boa de leituras.

Do meio para o fim do livro a história vai ficando tão gostosinha que eu não consegui parar de ler e praticamente não dormi para concluir! Babi passa por cada uma... Chorei, ri, me emocionei.. Uma maravilha! E o que falar de Ian, esse cara que só existe no papel mas que me deixou sem ar?! CÉUS!!! Ian é a mistura de tudo que a gente gosta num protagonista masculino: ele é gentil mas firme, é lindo mas é humilde e ele é apaixonado e intenso e eu REALMENTE quero um pra mim. Fiquei apaixonada por esse rapaz! Suspirei muito enquanto lia esse livro e fiquei espalhando por aí a delicinha que ele é (o livro... E o Ian também!)

Então, estou indicando esse livro pra vocês e a partir de agora ficarei de olho no que a Raiza escrever porque já vi que ela é meu estilo de escritora! Uma ótima surpresa que a Pandorga me preparou porque eu não sabia do lançamento do livro, mas ele é exatamente o tipo de livro que gosto de ler! Além disso, a editora está de parabéns porque o livro está lindo, muito bem revisado e editado - só achei um errinho de revisão e as vezes leio alguns livros nacionais com tantos problemas neste quesito que vale ressaltar esse quesito. Quem já leu?