Eu Li: Agora e Para Sempre, Lara Jean (Always and Forever, Lara Jean)

Eu protelei bastante para começar a leitura desse livro e eu sabia bem o porquê. Agora e Para Sempre encerra a trilogia que vim acompanhando esses últimos anos e tanto me apaixonei e vibrei com os personagens de Jenny Han. Eu não li o livro assim que o recebi da editora Intrínseca porque eu sabia que assim que eu começasse a leitura, eu iria ler de uma vez e uma vez que eu fizesse isso, significaria que eu estaria pondo um ponto final em toda a historia de Lara Jean comigo e eu não estava preparada! Li o livro da mesma forma que os anteriores, em pouco tempo, e ele me surpreendeu bastante. A resenha está sem spoilers, mas pode haver revelações sobre os livros anteriores.


Esse livro se passa um tempo depois do fim do PS.: Ainda Amo Você e estamos acompanhando o último ano de Lara Jean e Peter no Ensino Médio. Desde o inicio da leitura, já é possível sentir esse clima de despedida, porque afinal, esse é o fechamento de um ciclo para Lara Jean e também para nós, que a acompanhamos durante a trilogia. Dessa vez, a vida de Lara Jean está relativamente tranqüila. Ela está curtindo seu namoro com Peter no ultimo ano da escola, tem novos amigos – ainda mais porque agora ela namora o grande astro Peter Kavinsky, a irmã mais nova continua crescendo e desenvolvendo aquela personalidade única e o pai finalmente está feliz num relacionamento amoroso. Sr. Covey começou a namorar a vizinha de frente e pretende pedi-la em casamento. LJ aprova muito essa relação, ainda mais porque Trina Rothschild se da muito bem com Kitty e ela gosta que a irmã vá ter uma presença feminina em casa depois que ela for para a faculdade.
Como é mesmo aquele ditado? Nada de bom acontece depois das duas da manhã.
eu concordo, hein...

Desde sempre, o plano de Lara Jean foi estudar na Universidade da Virginia, a UVA e ela está bem confiante que irá entrar nessa faculdade e passar os próximos anos junto a Peter, que já foi admitido, pois é jogador de lacrosse. Ela já se esforçou bastante para conseguir notas e indicações, então está ansiosa com a divulgação dos resultados para começar a planejar o futuro com Peter.
Ele me acha tão peculiar. Não estou planejando contar a ele que não sou tão diferente assim, que na verdade muita gente gosta de ficar em casa, assar biscoitos, fazer scrapbooks e frequentar bibliotecas.
Pronto! Eu sou a Lara Jean brasileira!
Eu gostei muito que nesse livro o relacionamento de Lara Jean é desenvolvido de uma forma bem natural e como Jenny Han abordou tudo o que precisav sem recorrer aos clichês-de-livros-adolescentes. Peter está especialmente fofo nesse livro e eu me surpreendi com o amadurecimento dele. Embora ele ainda seja o grande Peter K, popular, que adora elogios, eu o achei bem mais sereno, talvez por já estar habituado ao relacionamento com LJ. Eles não tem briguinhas bobas e conseguem resolver todos os conflitos na base da conversa e isso foi meio que um sopro de frescor para mim, pois é difícil ler coisas assim em se tratando de jovens! E ainda digo que muito desse jogo de cintura foi por Peter porque eu reconheço que, às vezes, Lara Jean estava mais geniosa do que um cara qualquer aguentaria (não que eu ache que isso é problema, afinal, relacionamentos precisam ser resolvidos entre as partes da melhor forma possível). Depois do livro anterior, onde eles passam por muitas situações ruins devido fofocas e onde temos tanta coisa atrapalhando esse casal, gostei que nesse livro o relacionamento deles se sustenta e conta uma história linda sem precisar de subterfúgios óbvios. Peter e Lara Jean vivem todo tipo de situação neste livro e eu apreciei cada uma delas (as boas e as ruins).

Também foi muito bom ver o modo como a parte familiar de Lara Jean ganha novos temperos com a chegada de Trina e tudo o que isso representa tanto para o pai dela, quanto para ela e as irmãs. Margot, a principio, não fica muito contente, mas como era de se esperar das garotas Song, ela percebe o que é melhor para a família e então começa a aceitar o novo relacionamento do pai e os momentos familiares são realmente tocantes. Também adoro como Lara Jean lembra da mãe e sempre conta fatos sobre ela e ainda assim, o livro não fica pesado porque Jenny Han sabe fazer essas passagens de uma forma leve, doce e emocionante, sem pesar.

Com todo o agito do fim do ano escolar, últimas provas, cartas de resposta das universidades, o pai prestes a casar, Lara Jean está cheia de coisas na cabeça e o livro passeia por diversos pontos da vida de uma adolescente e eu acho que Jenny Han escreve tudo de uma forma gostosa e isso nos faz ler com muita fluidez e curiosidade. O livro tem algumas reviravoltas bem empolgantes e eu amei muito o tanto de referências a cultura pop que ele tem. São filmes, lugares, músicas... 
Existe a vida pacata, uma vida contente, sem altos e baixos radicais, e existem todos os atritos de quando se está apaixonado por alguém.
Esse livro também tem muitos momentos comoventes e eu chorei em diversos momentos no decorrer da trama, mas conforme foi chegando o final, as emoções ficaram difíceis de controlar e eu chorei foi demais porque é MUITA COISA emocionante acontecendo (no Instagram você acompanha meus surtos).

Terminei a leitura chorando, mas com um sentimento bom, de que tudo foi bem concluído, as arestas foram bem amarradinhas e embora eu ainda adorasse acompanhar a vida de Peter e Lara Jean na faculdade, a trama deles foi concluída com sucesso, e como fã, posso dormir tranquila.

  • P.S.: Achei curioso nos agradecimentos, a Jenny Han agradecer e avisar aos fãs que esse terceiro livro só existiu porque foi pedido porque mesmo quando eu li o segundo, nunca achei que a história de Lara Jean estava concluída – sério, antes mesmo de saber se teria ou não um terceiro, eu sabia que aquilo não era o fim. O livro 2 deixa muita coisa em aberto e nesse livro tudo é concluído e amarrado com um laço de fita. E eu não poderia ter ficado mais feliz por isso – ainda que muito chorosa e emocionada.

Vá embora com quem você chegou, a não ser que ele esteja bebado; nesse caso, arranje outro jeito de voltar para casa.
Uma dica de Stormy, para a vida.

Eu Li: Legado (Dust)

Legado é o fim de uma das trilogias em que mais depositei minhas expectativas desde que conheci o primeiro livro da história de Hugh Howey, Silo. Quem leu minha resenha sabe como esse livro me deixou empolgada e como assim que o lemos começamos a criar várias teorias sobre esse mundo inusitado que Hugh criou. Então li a continuação, Ordem, e o livro também é bem empolgante porque acaba adicionando mais informações a trama e nos deixa LOUCOS pela continuação. Eu li Ordem em jul/2015 e desde então minha expectativa para o fim da trilogia só aumentou e assim que pude, solicitei o livro pela parceria da Intrínseca porque eu precisava ler e contar o que achei do desfecho dessa trama que tanto me empolgou - lá em 2014. Como o esperado, a editora lançou o livro no segundo semestre de 2016 e eu recebi o livro nesta época...

A resenha não tem spoilers, porque eu preciso é de respostas!

Vou começar explicando o decorrer da minha leitura de Legado. Recebi o livro em setembro e na época postei no Instagram falando sobre minhas altas expectativas - e sabendo que esse poderia ser o inicio de uma história ruim.... Ano passado não foi o melhor ano da minha vida. /Pausa na resenha pra falar de fatos da vida porque isso contextualiza tudo/. Não foi um ano bom de modo geral para mim e isso acabou repercutindo nas minhas leituras. Tive problemas no inicio do ano e o decorrer do ano foi bem pacato em matéria de leituras porque eu realmente não estava conseguindo me concentrar e me envolver em alguns livros e Legado acabou sendo um desses livros. Comecei a ler assim que recebi, mas não senti aquela empolgação, não achei o inicio tão empolgante a ponto de conseguir seguir em frente - um pouco pelo inicio da trama (que é bem sequente ao final de Ordem) e um pouco pelo que eu estava passando na vida. /Fim da pausa contextualizadora/

Legado começa com o que o final de Ordem nos deixa a par. Jules está de volta ao Silo 18 como prefeita e está cuidando de uma escavação que visa chegar ao Silo 17 e buscar Solo e as crianças. O Silo todo está meio descrente das ideias dela e a maioria do pessoal é contra essa ideia de escavar a terra em busca de outro silo - afinal, eles nunca nem imaginaram que existiam outros - mas Jules conta a ajuda de seus velhos amigos da Mecânica, de Lukas e aqueles que acreditaram em tudo que ela viveu e apoiam suas ideias, por mais loucas que pareçam.

Novamente, o livro se divide entre pontos de vista em locais diferentes, apesar de que nesta vez, estão todos no mesmo tempo na história. Além do que se passa no Silo 18, também acompanhamos Donald e seus planos junto a Charlotte lá no 'Silo 1'. O inicio do livro não chega a ser tão empolgante porque a situação toda está caótica e a gente sempre começa essas leituras meio que sem saber o que esperar. Particularmente recomendo que, se você não o fez como eu, pegue a trilogia toda para ler uma só vez, assim as coisas estarão mais frescas na sua memória e você poderá formular suas teorias e ir confirmando ou não de uma só vez.

Mas meu problema com a leitura não se deu devido ao andamento complicado do inicio do livro. Na verdade, ele ficou em espera e este ano que eu resolvi voltar a leitura com foco para terminá-lo. Com o decorrer da história, a gente passa a entender melhor o que esta acontecendo e as coisas vão tomando rumo. O grade problema, a meu ver, é que este foi o último livro de uma trilogia  que tinha tudo para ser sensacional, mas parece que o próprio autor acabou se perdendo na grandiosidade da trama que ele mesmo criou e na hora de finalizar, as coisas não tiveram como serem feitas de uma forma bem amarradinha - como eu esperava. Terminei a leitura há um mês e só agora conseguir concluir essa resenha e postar porque quem me acompanha no Twitter viu como eu fiquei enquanto finalizava o livro....
Heróis não venciam. Os heróis eram quem quer que tenha vencido. A História recontava suas versões, já que os mortos não podem falar. Tudo ficção.
Realmente não entendi qual foi a ideia geral de tudo que ocorreu no mundo para que eles chegassem àquela situação (nos dois primeiros livros a promessa é de algo bem impactante) e isso me frustrou de uma forma que eu não queria. Acho que ficou mal explicado demais as motivações de Thurman, qual era o problema do mundo antes de tudo e qual era o problema atual: o ar matava? Tudo era tóxico?  Como as pessoas aceitaram aquilo no princípio? E o resto do mundo? E qual era o problema real?  Qual era o objetivo final? Por quê? POR QUÊ?

 Sinceramente, essa é uma resenha pouco explicativa porque até agora eu não entendi e estou aqui humildemente compartilhando minha opinião para saber se algum de vocês que leu, pode me explicar. Eu me senti enganada como quando finalizaram LOST. Parece que Hugh criou uma trama muito boa na cabeça e toda a sacada do plot era muito boa, mas na hora de finalizar ele não teve como explicar o tanto que havia criado - e quem leu minha resenha de Ordem percebeu que esse era um medo meu. Eu sabia que aquele tanto de informação que é passado em Ordem ia ficar complicada de explicar e o que senti depois que terminei o epílogo (terrível) foi que Hugh na verdade não explicou realmente o que aconteceu no mundo - nem o que levou o mundo a chegar àquele ponto, nem o que aconteceu depois de tudo.
Elise perguntou o que significava ser nostálgica, e Jewel respondeu:
— É quando você acha que o passado era melhor do que realmente era só porque o presente é ruim demais.
Enfim, sinto muito se não dissertei muito sobre a trama, mas até para quem já conhece os livros anteriores ou leu este livro, acho que consegui explicar o que eu senti e como esse final de trilogia me deixou. Foi frustrante. Eu sinto muito (sinto mesmo porque eu tinha essa série muito em alta na minha lista) ter que escrever isso sobre esse livro, mas foi o que a leitura me causou e eu escrevo as resenhas para compartilhar minhas sensações.
Esse é o problema com a verdade - comentou Darcy — Tanto os homens mentirosos quanto os honestos afirmam tê-la.
O que achei engraçado é que após o fim do livro, existe uma nota do próprio Hugh Howey, explicando porque ele escreveu a trama e o final e o que eu senti foi que ele mesmo percebeu que aquele final não iria agradar aos fãs, àqueles que acompanharam fervorosamente a criação das tramas enquanto ainda eram apenas ebooks na Amazon... Nem sei se a nota foi feita exclusivamente para a versão impressa, mas eu senti que ela é mais que uma explicação, é um pedido de desculpas por ele ter feito um final tão 'aberto' que em nada explica o que a gente acaba esperando desde que começa todo o processo lá em Silo.

Eu realmente sinto muito por não ter gostado desse final. Deixo claro aqui que o livro não é ruim. A escrita ainda é muio boa, existem passagens bem bonitas e poéticas sobre a humanidade - que é um tema recorrente na trama, até mesmo por conta da própria temática - e ainda tem as reviravoltas - nossa, nesse livro é uma mais impactante que a outra - e eu continuo amando Silo - e até mesmo Ordem, pelo que eles representam, pelo que eles trazem de novo e pelo que propõe. Mas Legado realmente não me convenceu como final de série porque eu esperava uma explicação mais minuciosa de tudo que aconteceu.


Pedido real: se você entendeu, me manda email, skoob, twitt... Eu realmente não entendi (ou entendi e estou em negação - o que é BEM mais provável) aquilo tudo que acontece nos momentos finais.

Eu Li: Coleção Como Lidar - Os Encontros (The Ladybird Book of Dating)

Continuando com mais um livro da coleção Como Lidar, lançada aqui no Brasil pela Intrínseca. Eu já falei sobre outros dois livros (O Hipster e A Ressaca) da série e para ver a senha é só clicar aqui. O livro segue a mesma linha sarcástica/engraçadinha com ilustrações clássicas dos livros infantis. 

Pela minha pequena pesquisa, esse foi o último livro da primeira parte da série lançado lá fora - atualmente ela já conta com 11 livros e a Intrínseca lançou 5 livros nesta primeira leva. Os livros não precisam ser lidos em nenhuma ordem especifica, visto que cada um discute um tema e você pode ler os que mais se identifica.

Eu já havia gostado bastante de A Ressaca e O Hipster, e li Os Encontros assim que o carteiro entregou o pacote aqui em casa. Devo dizer que por enquanto, é meu favorito - talvez por tratar de um tema tão universal e acho que neste livro as situações são exemplificadas e parodiadas tão bem que não importa o lugar do mundo, a gente percebe que, em se tratando de dates, as coisas são muito do mesmo em qualquer lugar.

Gostei que o livro faz exemplos com vários tipos de encontros e eu gostei muito das abordagens comentadas. Algumas são bem próximas a nossa realidade #quemnunca e apesar do livro ter toda essa identidade visual de algo dos anos 50/60 as situações comentadas são muito atuais e esse paradoxo, além de divertido, nos faz pensar bastante sobre alguns dos casos - sério mesmo!
Roberta vai sair com Igor pela quinta vez. Mas ele não aparece, e ela fica triste. Igor, manda uma mensagem. Diz que está se sentindo pressionado demais, que ela "liga p/ ele td dia". Roberta percebe que escapou por pouco. Ela valoriza o uso de palavras inteiras.
#hahaha
Como não poderia deixar de ser, todo esse sarcasmo também chega àquele momento em que alguma das situações se torna estranha demais mesmo considerando que o livro é justamente uma leitura para não se levar a sério - mas eu fiquei encucada! rs

Me diverti bastante com as situações representadas, mas eu senti que esse livro tem um problema de tradução. Eu senti isso enquanto lia logo da primeira vez, então procurei especificamente pela parte que eu acreditava estar traduzida erradamente (ficou fora de contexto e em textos sarcásticos você simplesmente sente isso) e então confirmei minha dúvida. Por sorte, só notei isso em uma parte do livro, então fica só o aviso (se você ler e notar, me avisa aqui nos comentários! rs). Fora esse pequeno errinho de tradução/revisão, é um livro bem divertido e se você está procurando um passatempo, coloque ele na sua lista!

PS.: Gostaria de registrar aqui que os 'outros títulos' listados nas contracapas dos livros como parte da coleção são muito interessantes! Pena que é só zoeira, mas eu acho que são títulos interessantes! #ficadica pra J.A.Hazeley e J.P. Morris! ha ha ha

Eu Li: Destinos e Fúrias (Fates and Furies)

Destinos e Fúrias foi um dos livros que conheci na Turnê Intrínseca deste ano, no dia 09 de abril aqui no Rio de Janeiro e fiquei louca pelo lançamento - que aconteceu oficialmente em maio. Pedi o livro para analise e o livro chegou aqui em casa no final de junho e desde então ele andava na minha cabeceira. Comecei a leitura um tempo depois, mas sem nunca realmente engrenar, e hoje com essa resenha vou tentar explicar meus sentimentos conflitantes e bem paradoxais com essa leitura. A resenha está sem spoilers - até porque um livro dessa complexidade torna impossível dar algum spoiler porque só lendo para entender como ele se desenrola. Fates and Furies foi eleito o melhor livro publicado em 2015 pela Amazon e foi um sucesso absoluto lá fora - conseguindo elogios até do presidente dos EUA, Obama. Eu não sabia de nada disso até a turnê e, na verdade, o que me deixou curiosa mesmo foi o que a editora que falou sobre o livro contou...
O cupido mata alguns com flechas, outros com armadilhas.
O livro é narrado em 3ª pessoa e é 'dividido' em duas partes - destinos/fúrias. Lauren Groff fez uma construção muito interessante nessa narrativa porque a parte Destino é narrada sob a perspectiva de Lotto, o nosso protagonista masculino e a parte Fúria, sob a ótica de Mathilde. Lotto e Mathilde são o casal protagonista que conhecemos com a leitura. Eles se conhecem no fim da faculdade e se casam num desses surtos de paixão pós-adolescente (acabei de inventar isso, eu sei) apenas duas semanas depois do primeiro encontro. E durante todo o livro acompanhamos não só o desenrolar do casamento deles como também o início da vida e o que os levou àquele momento - e acreditem, o modo como os acontecimentos da vida deles antes mesmo de conhecerem afeta todo o andamento da relação é incrível - assustador, empolgante e que faz pensar.
Em quase todas as pessoas que já tinham passado pelo mundo, havia pelo menos uma pequena lasca de maldade. Nele não havia nenhuma: ela soube disso quando o viu em pé no peitoril da janela [...] Sua avidez, sua profunda bondade, essas eram as vantagens do privilegio dele.
Como eu disse no início, demorei bastante para concluir a leitura, mas não porque achei o livro ruim, só não consegui entrar na vibe dele assim de cara porque é um livro muito complexo e eu tenho dificuldades de concentração quando a leitura me exige muito (olha eu confessando minha ignorância). O fato é que comentei bastante sobre ele no Twitter nos momentos em que estava lendo porque por vezes eu estava achando a história intrincada demais e isso estava derretendo meu cérebro e me fazendo sentir burra - e me deprime muito quando um livro me deixa assim. Esse foi um dos motivos por eu não ter engrenado de vez na leitura, porque eu tentava mas a trama é bem densa e eu simplesmente não consegui me conectar com a história a ponto de querer ler sem parar - e a grande ironia é que o livro é famoso justamente por ser empolgante e fazer você querer ler e descobrir tudo de uma vez. Destinos e Fúrias é bem complexo e isso exige certa disposição do leitor - e talvez eu simplesmente não estivesse disposta (usar simplesmente nessa resenha é tão estranho... Esse livro não tem nada de simples ou nenhum derivado ou sinônimo disso), mas recomendo fortemente que você esteja com disposição e tenha dedicação pra encarar essa trama, porque ela é bem interessante.

Apesar de ser narrado em terceira pessoa, o livro penetra bem na mente dos personagens - principalmente os protagonistas-foco - e isso nos faz entender bem suas motivações e suas experiencias. A parte de Lotto narra toda sua vida, desde que nasceu, a infância, adolescência, a vida adulta, de casado, de fracassado, de famoso, feliz, furioso.... Enfim, todos os altos e baixos da vida como nós bem conhecemos. Lotto é como uma garoa, ele tem algo de bom e de puro. Algo que facilmente nos identificamos - tanto de ego inflado, um pouco de insegurança. O tipo de coisa que todos temos dentro de nós. A parte de Mathilde também faz isso, embora de forma mais incisiva, sem tantos entremeios e confesso que foi quando comecei a parte Fúrias que meu apreço pelo livro ganhou pontos e comecei a ficar mais empolgada com a leitura. Mathilde é um furação. Mas a gente só conhece isso lendo a parte dela - e confesso que gosto muito da personalidade dela (e até me identifico, por mais inusitado que isso possa parecer) porque me lembra um pouco algumas protagonistas da Gillian Flynn. De fato o livro é narrado de forma diferente em suas duas partes, mas principalmente, a história de Lotto e Mathilde, embora conjunta em grande parte da vida deles, tem muitas particularidades - tanto antes quando durante - que tornam nossa experiencia de leitura diferente.
Grandes faixas de sua vida eram espaços em branco para seu marido. O que ela não lhe contava contrabalançava ordenadamente o que lhe contava. No entanto, há inverdades constituídas de palavras e inverdades constituídas de silêncio, [...]
O que mais gostei na parte de Fúrias é que é nela que realmente paramos para questionar diversos pontos de um relacionamento e notamos como aquela máxima de 'toda história tem dois lados' realmente faz todo sentido. No início do livro, quando lemos tudo pela visão de Lotto a gente tem uma ideia sobre aquela relação, até mesmo sobre as pessoas que os rodeiam, mas é lendo a parte de Mathilde que faz tudo isso tomar uma nova perspectiva (porque é realmente outra) e começamos a ver que existe um quebra-cabeças bem maior do que aquele que julgamos ter montado. Não sei se vocês estão conseguindo entender o que quero dizer com essa resenha, mas esse livro me lembrou muito um trecho que conheci e sempre gostei muito em outro livro, que também foi lançado pela Intrínseca, 'Esposa 22': "Ingredientes para um casamento feliz: 1 xícara de gentileza, 2 xícaras de gratidão, 1 colher de chá de elogios diários, 1 segredo muito bem guardado." E é sério, lendo esse livro você nota que isso é realmente verdade e faz todo o sentido em um relacionamento.

A partir de Fúrias todo um novo ambiente, um novo enredo se abre a nossa frente e isso é bem incrível de se notar porque a gente percebe que esses dois lados da história podem ser bem diferentes e revelar aspectos até então, inesperados. É um livro capaz de agradar um leitor exigente - e de fazer pensar muito (e sofrer?) um leitor menos acostumado a esse tipo de densidade, mas como eu disse, você precisa encarar a leitura, se dedicar, pra poder curtir e entender todas as propostas feitas pela autora durante a narrativa.
Diablese, era como chamavam você [...] Ou ele não está aí, ou você aprendeu a dissimular como todos os bons diabos
— Talvez viver com medo expulse todos os diabos da pessoa - disse ela. — Exorcismo por terror.
Meu sentimento final em relação a esse livro é paradoxal porque mesmo no final da leitura eu ainda me perguntava se seria um livro que eu iria querer manter na estante ou passaria pra frente (pra outra pessoa conhecer), e decidi que vou mante-lo por perto, pelo menos por algum tempo, porque ele tem algumas ideias muito boas sobre relações e eu sou uma verdadeira entusiasta das relações humanas! Me encanta, me inebria, adoro saber do assunto, estudar sobre ele, ler sobre ele e por isso posso dizer que conseguir terminar esse livro foi uma vitória e uma felicidade - porque me senti bem por concluir algo que foi tão desafiador para mim.

Se eu recomendo a leitura? Claro! Mas esteja disposto. E saiba que esse livro é denso e vai exigir um pouco mais de você. Ele tem algo de poético (Lotto tem sua fase dramaturgo e os trechos de suas peças representam bem esse lado) e também algo de áspero. Enfim, é uma leitura que você vai encontrar muita coisa e se você estiver disposto a aproveitar, vai aproveitar (ou aprender muito).

Agora, pra finalizar, eu só gostaria de fazer um pedido: você que leu essa resenha e leu este livro POR FAVOR me explique aquele final! Eu fiquei louca quando vi que não restava mais nenhum capítulo, eu já estava nos agradecimentos da autora e tinha terminado daquele jeito! Me senti a Hazel com o fim de Uma Aflição Imperial. Sério. Eu preciso saber o que aconteceu depois. Não entendi bem todo aquele último capitulo! rs