Eu Li: O Lado Feio do Amor (Ugly Love)

E depois de anos eu finalmente voltei a ler Colleen Hoover. essa demora toda nem foi por falta de vontade - tenho vontade de ler 95% do que ela lança - foi apenas porque eu não anda sendo uma leitora muito ativa, então acabei demorando mais do que deveria. Ugly Love era um dos livros dela que eu mais queria ler, porque já vi muito comentários polêmicos sobre ele, então aproveitei a indicação de um clube de livros que participo para riscar da lista. E eu poderia ter feito isso antes, porque li tudo em tipo, dois dias, tamanha a ansiedade que fiquei. A resenha não tem spoilers!

Em 'O Lado Feio do Amor' temos a história de Tate Collins. Tate está se mudando para o apartamento do irmão mais velho, Corbin, para recomeçar, após terminar um relacionamento. Agora ela está focada em seu mestrado em Enfermagem e em seu novo trabalho no hospital, então vai morar com o irmão enquanto junta dinheiro e se prepara para ter um lugar só seu. Do outro lado, temos nosso bad boy Miles Archer, que é vizinho, amigo e colega de trabalho do irmão de Tate. Miles é piloto (de avião), assim como Corbin, e eles vivem em um prédio no centro de São Francisco.

Tate chega de mudança e tem aquela péssima primeira impressão ao conhecer Miles, visto que este está meio desmaiado de bêbado à porta de seu irmão. Aquela situação bem tipica de romances NA, mas que não deixa de ser interessante porque a gente precisa desvendar aos poucos os mistérios que envolvem os personagens. Seguimos a trama ora acompanhando a narrativa do presente de Tate, ora relembrando com Miles acontecimentos de 6 anos atrás - que obviamente impactaram o presente de Miles, então a gente tem que ir montando esse quebra-cabeças.

Como já era esperado, a narrativa de Coollen é aquela coisa gostosa e fluida que nos faz ler páginas e páginas sem perceber. Além disso, há realmente o mistério sobre O QUE ocorreu no passado de Miles para transformá-lo nesta pessoa que Tate conhece, então é ler e criar teorias!

Apesar do primeiro encontro nada amigável,  Tate e Miles acabam desenvolvendo um relacionamento complicado porque fica claro desde o principio, para os dois, que há ali uma atração que eles não podem - e não precisam - negar. Confesso, eu realmente não esperava esse rumo inicial do livro, porque eu sempre espero uma resistência da moça para com o rapaz, mas Ugly Love me surpreendeu porque é a Tate que, de certa forma, propõe um acordo para que eles se peguem, mas não se apeguem. Obviamente que ela SABE o quanto a ideia é arriscada, porque ela se sente muito atraída por Miles e toda pessoa sabe que não é possível controlar sentimentos e prever o que se vai sentir, mas Miles é bem claro com ela sobre não querer se envolver e como ela não quer negar a tensão entre eles (rs), ela aceita embarcar nessa canoa furada - mesmo sabendo que está furada.

Com o decorrer da trama, vamos acompanhando o quanto esse relacionamento deles acaba se tornando toxico para ela (e talvez para ele, que ta em negação) e Tate se vê naquela dúvida entre continuar e se afogar ou pegar um barquinho salva-vidas e partir para longe dali. E o que ela escolhe? EXATAMENTE. No entanto, acho que as ações dela são bem coerentes com o que ela acredita estar sentindo, então, quem sou eu para julgar?

O Lado Feio do Amor tem uma trama muito ágil, que poderia mesmo acontecer com alguém que conhecemos e acho muito interessante quando os livros tratam os sentimentos como as coisas complexas que são. Miles tem sérios problemas em relação ao passado, e de forma alguma, acho que ele teria o direito de agir como em alguns momentos, mas consigo entender como esse passado se tornou algo tão forte no presente dele que ele não consegue ser diferente. É errado? SIM. Não justifica? Não mesmo. Mas gosto de ter essa compreensão sobre o que pode se passar na cabeça de cada personagem para levá-lo a ter certas atitudes. Tate por outro lado, apesar de ter toda essa força inicial de ir atrás do que quer e não negar suas vontades, acaba presa nessa coisa complicada que se torna o relacionamento deles. Ela SABE que algo ali não está certo, mas não consegue se livrar porque sofre da doença que 90% das personagens femininas sofrem: achar que é uma heroína que pode salvar o boy de seus dramas internos. Então ela até pensa bastante em se mandar dali, mas tem aquele pensamento de que 'um dia ele vai mudar POR MIM', 'um dia ele vai perceber que me ama', 'um dia iremos rir disso tudo em Paris'. Ok, ok.
Infelizmente, isso já é o suficiente. Não me importo se ele gosta de mim. Só quero que se sinta atraído por mim, pois o gostar pode vir depois.
Tate, representando muitas de nós :(
A verdade é que eu até esperava que o Miles fosse pior (!) porque a fama dele não é nada boa, mas eu já li caras em NAs por ai bem problemáticos, então acho que Miles esta na média geral. Estava curiosa para saber qual era o tal trauma do passado que o deixa com o presente tão complicado e fico feliz em dizer que eu consegui ter uma ideia antes da revelação oficial, mas fico triste pelo acontecido, porque é algo realmente triste - embora não, não justifique. Acho que é o tipo de revelação que você pensa 'é, isso explica muita coisa' porque realmente cria uma história bem redondinha sobre a vida dele, embora ainda assim fique aquele sentimento de 'explica, mas não justifica. HUMF!' Mas sou uma eterna entusiasta sobre as emoções humanas e como nosso passado, presente e futuro são afetados pelas experiencias que vivemos, então gostei muito que o livro fala sobre essas questões. Foi um livro que me fez rir e chorar (nossa, quem diria) e eu gosto muito quando uma história consegue criar reações tão distintas.
O amor nem sempre é bonito, Tate. às vezes você passa o tempo inteiro desejando que um dia ele mude. Que melhore. E aí, antes que perceba, você já voltou para a estaca zero e perdeu o seu coração em algum lugar no meio do caminho.
Existe muito debate sobre o teor desse livro em retratar um relacionamento abusivo e no final as coisas se esclarecerem com muita facilidade, mas eu sou da parcela que acredita que a Colleen contou uma história, fez a redenção do personagem por todas as besteiras que ele comete no decorrer da trama e se apegou a isso para o final. Acredito que ela não tenha querido retratar o relacionamento deles como um ideal e sim mostrar que apesar de todos os problemas, há esperança caso aja um real interesse da pessoa em mudar. E certo, talvez tudo pareça ter uma resolução muito fácil, rápida, simples.... Mas acho que o principal é se apegar que ela REALMENTE ACONTECEU. 

Na vida pessoal, eu realmente consigo ver os problemas no comportamento dele e não aprovo. Também não indicaria um relacionamento assim para uma amiga. Porque por mais que a gente (mulheres) seja criada com essa ideia de que podemos 'mudar um homem', sabemos que só quem pode mudar algo em si é a própria pessoa. Acredito que nessa ficção, a mensagem é essa: houve disposição do Miles em mudar, em melhorar. E houve a disposição da Tate em acreditar que ele se arrependeu e mudou. Então, se o casal concordou com esse acordo, quem sou eu para implicar, não é mesmo?

Então eu certamente recomendo a leitura se você tem essa mente disposta a acreditar que as pessoas os personagens podem mudar e o final feliz é possível mesmo quando o percurso é cheio de impasses. Cada vez que leio Colleen termino com a sensação de que preciso ler mais do que ela escreve porque realmente gosto de toda a carga emocional que ela poe nas histórias!

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