Eu Li: Um Milhão de Finais Felizes

Eu já havia lido o primeiro livro do Vitor Martins na Globo Alt no ano passado e havia gostado demais de Quinze Dias. Confesso que não fiquei muito por dentro do que ele estava preparando - porque sou esse tipo de pessoa relapsa - mas assim que ouvi falar do livro do piratas gays lembrei que precisava por esse livro na minha fila e ler assim que possível. A oportunidade surgiu e eu não poderia ter ficado mais feliz, porque estou indicando pra todo mundo e acho que preciso escrever uma resenha e deixar registrado aqui o que senti com essa leitura - porque fiquei adiando minha resenha de Quinze Dias e olha no que deu...

Um Milhão de Finais Felizes é um livro narrado pelo Jonas. Jonas está naquele período da vida entre a adolescência e a vida adulta que é bem confuso e a gente parece andar um uma grande interrogação no alto da cabeça - como Sims confusos. Ele terminou o colegial e agora esta trabalhando enquanto junta dinheiro para - talvez - fazer uma faculdade. Jonas é um rapaz de classe média do ABC paulista (ok, ele não usa essa descrição, mas eu sempre quis escrever ABC paulista e vou aproveitar minha chance aqui e agora) e sua rotina tem sido passar a maior tempo possível fora de casa, pra não ter que lidar com o pai - com quem não tem uma boa relação. A mãe de Jonas trabalha meio período cozinhando num restaurante das redondezas e o resto do tempo ela se dedica a atividades da igreja que frequenta desde sempre. Jonas também cresceu nessa comunidade religiosa, mas acabou se afastando por não mais concordar com algumas questões. Ainda assim, passar a vida com essa criação, o faz ter convicções sobre Deus e religião que estão sempre rodeando sua mente. Apesar de não estar certo sobre que curso ele quer fazer, Jonas gosta de escrever e costuma levar um caderninho para todo o canto onde costuma anotar suas ideias para histórias dos livros que ele poderia escrever. E sério, ele tem as ideias mais legais e mais doidas - e algumas ruins, mas eu estava gostando tanto dele que até leria.

Pois Jonas está trabalhando em uma cafeteria de temática espacial bem no meio da av. Paulista, o Rocket Café. Rocket Café é um desses estabelecimentos modernos que vivem cheios de clientes pagando caro por um copo de café a caminho do trabalho. Lá, Jonas não é muito compreendido pelo seu gerente (bem, nenhum chefe gosta de atrasos) mas fez amizade com Karina, a funcionaria que geralmente divide com ele as tarefas de caixa do café. Um dia, durante o expediente, um cliente aparece no café e Jonas se sente imediatamente atraído, porque o rapaz de barba ruiva é apenas a pessoa mais bonita que ele já viu na vida - do tipo, ver e estar perto, respirando o mesmo ar. Depois de passar aquela vergonha corriqueira que a gente sempre passa ao falar com alguém que achamos interessante, a vida segue seu curso. Além da amizade com Karina no trabalho, Jonas tem dois amigos desde a época da escola: Isadora e Danilo, com quem ainda mantém contato. É numa festa de carnaval que Danilo os convida que Jonas reencontra o rapaz da barba ruiva.

É muito legal acompanhar as duvidas de Jonas e também ver o amadurecimento dele como pessoa no decorrer da trama. Por toda a situação que ele passa em casa, é bem complicado pra ele se aceitar, apesar de já saber há tempos. Gosto muito quando os personagens vivem esse momento de descoberta de si mesmos e é um processo bonito de acompanhar, mesmo quando tem muita coisa triste no caminho. E acho que o livro dosa bem os momentos fofos, de romance, com as partes mais complexas sobre a vida do Jonas em família. Porque, por mais que o livro conte a história do Jonas com o Arthur, a história é muito sobre família, a família que a gente nasce - que nem sempre nos apoia e nos entende (ou aceita), e a que a gente escolhe. E vocês sabem, tramas de amizade me deixam ainda mais comovida que as de amor (ok, talvez igualmente comovida).
Como qualquer pessoa normal, minha autoestima te dias bons e ruins, mas ela nunca tem dias ótimos.
Eu gosto muito da narrativa do Jonas no livro. É muito direta, muito agradável, do tipo que a gente lê  com muita facilidade porque parece até um amigo nos contando sobre a vida. E foi assim que me senti durante a leitura, como se eu fizesse parte do grupo de amigos do Jonas, então chorei e ri junto com ele. O livro tem um ritmo tão gostoso que a gente consegue ler muito sem nem perceber, e a verdade é que a gente fica tão curioso sobre onde aquela história vai parar que a vontade é de não parar nunca mesmo. Em alguns momentos o Jonas tinha uns pensamentos que eu pensava 'meu Deus, sou eu!' e algumas situações que ele passa me fizeram pensar muito sobre minha vida. Alguns questionamentos de Jonas em relação às mudanças que passamos pela vida - seja com os amigos, a família ou os amores - me deixaram bem emotivas e eu queria sentar com ele e conversar. Por outro lado, as vezes Arthur era a exata representação do meu eu eternamenteadolescente que é fã de Disney e de cultura pop. Sério, esses dois são um casal muito incrível em suas completações.
Ele é do tipo que não faz aquele jogo de quem respondeu por último não pode puxar assunto de novo, e isso é ótimo porque, sinceramente, eu nem sei como funcionam as regras desse jogo.
#melhortipodepessoa
Se vocês estão se perguntando porque esse é o livro dos piratas gays que eu citei lá no inicio se o Jonas nem pirata é, saiba que esse é um daqueles casos de livro dentro livro. Como o futuro escritor que pretende ser, Jonas começa a escrever um romance entre piratas (que são gays) baseado em sua própria vida, mas com aquele toque que a ficção nos proporciona. Você, assim como eu, pode não se sentir muito atraído pela ideia de ler um livro sobre piratas gays (e nem venha me problematizar porque o problema não é a parte gay e sim a parte pirata!), mas você vai entender a analogia tão bem durante a trama e o Jonas escreve essa história tão improvável de uma forma tão legal, que você vai acabar amando a ideia e torcendo até por uma adaptação. Sério! Jamais imaginei gostar de algo sobre piratas (gosto dos do Caribe, mas sei lá... Acho que Orlando Bloom me da esse direito), mas os piratas do Jonas são amorzinho total.

E sim, como já ficou bem claro, é um livro que fala de questões LGBTQ. O Jonas não passa pelo processo de se descobrir (porque ele já sabe), mas acompanhamos ele se aceitando e  lidando com as situações que decorrem disso. Entretanto, mais do que categorizar o livro, é importante deixar claro aqui que a mensagem da história é muito bonita. Obvio que é o tipo de leitura que você não pode ter preconceitos para ler, mas acredito que todos que me visitam já me conhecem e sabem que eu gosto de variados tipos de leitura e sou fã de leituras que levantem discussões e nos aproximem de situações diferentes. Porque é importantíssimo compreender que cada um é cada um e precisamos respeitar e entender as escolhas do próximo ao invés de julgar. E quando um livro nos proporciona essa experiencia e ainda é muito maravilhoso, ele precisa ser indicado!
Vocês jovens conseguem usar a tecnologia pra arruinar tudo, é impressionante.
Fazia tempo que eu não lia uma história que achasse tão fofa e torcesse tanto pro casal principal. Eu fiquei realmente empolgada e torcendo muito pra que tudo desse certo. Além disso, esse livro já entrou no meu TOP de cenas mais fofas de romance protagonizada por um personagem para outro e eu estou muito agradecida ao Vitor por esse momento. 
No fim da tarde, eu estou exausto de existir.
#medefine

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